Foto: Mídia NINJA

26 de maio de 2018 foi um dia histórico para o Brasil. 100 mil pessoas fizeram a maior fumaça em plena Avenida Paulista. No meio daquela imensa Marcha da Maconha do Brasil, destacava-se uma faixa com os seguintes dizeres: “Maconheiros apoiam caminhoneiros”. Poucos dias antes, nas redes sociais, havia circulado o desenho de um caminhão verde, com a folha da maconha, escrito #somostodosmaconheiros.

O importantíssimo movimento dos caminhoneiros autônomos tem amplo apoio da população, afetada por um país que lutou, mas perdeu o transporte ferroviário para o transporte sobre rodas. Jamais sequer chegou ao Brasil o carro totalmente feito de maconha apresentado por Henry Ford em 1941 nos Estados Unidos, com carroceria de cânhamo e biodiesel de semente da erva da paz.

Temos um país onde todos os produtos, inclusive o gás de cozinha, chegam à nossa mesa, de caminhões movidos a diesel. Até a maconha prensada do Paraguai chega ao Brasil de caminhão. A ditadura militar proibiu carros a diesel e permitiu essse combustível apenas nos caminhões de carga e ônibus. Até hoje, praticamente toda a distribuição de cargas no Brasil é realizada por caminhões movidos a diesel. Quando privatizou a histórica Rede Ferroviária Federal (R.F.F.S.A.), o governo Fernando Henrique Cardoso “fechou o caixão” da luta por um país de ferrovias ao entregar o que restava de nosso transporte de carga por trem. Só não “doou” o transporte de passageiros, porque nenhuma empresa se interessou, daí acabou! Nem o tão falado “legado olímpico” foi capaz de realizar o sonho da ligação do Rio de Janeiro para São Paulo pelo trem bala.

O cenário é claro, nem precisa desenhar: Michel Temer e Pedro Parente, respectivamente, presidentes do Brasil e da Petrobrás, são “vendilhões da pátria”. Criaram um nova política de preços em que os valores de todos os derivados do petróleo são reajustados pela oscilação do dólar. Para completar, reduziram a capacidade de produção das refinarias de petróleo do Brasil, fazendo com que 80% do diesel refinado passassem a ser importados. Voltamos a exportar petróleo cru e a importar seus derivados refinados, agora, reajustados pelo dólar.

Se todos os produtos são distribuídos em caminhões a óleo diesel e o diesel é reajustado pela variação cambial, conseguiram atrelar toda a economia brasileira ao dólar. O golpe final pode ser a eleição desses entreguistas do PMDB, PSDB, DEM, PRB e PSL, que vem a ser o nono partido ao qual Bolsonaro se filiou. Se ganharem o pleito que se aproxima, esses “vendilhões da pátria” vão doar a Petrobrás aos sedentos acionistas americanos e não teremos mais como reclamar de nenhum aumento de preços no Brasil.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Boaventura de Sousa Santos

Boaventura de Souza Santos: As esquerdas e as eleições do desconhecido

Jean Wyllys

Jean Wyllys: Não se faz fofoca com o assassinato de Marielle

Ericka Gavinho

Segurança pública e eleições

Pastor Ariovaldo

Pastor Ariovaldo: As relações de trabalho

Vinícius Lima

O que aprendi conversando com o invisível: Genival

Tulio Ribeiro

Um judicialismo político para salvar Macri

Vinícius Lima

SP Invisível: Maria aparecida de Jesus, mas pode me chamar de Doidinha

Tulio Ribeiro

O tango que os Argentinos não gostaram

Mônica Horta

A não-moda brasileira

Liana Cirne Lins

É hora do PT mostrar que aprendeu

André Barros

Paes é Cabral. Cabral é Paes

André Barros

Criminalização racista da maconha

Jean Wyllys

Jean Wyllys: 6 perguntas para Jair Bolsonaro

Pastor Ariovaldo

Pastor Ariovaldo: Trabalho como direito e espaço de realização

André Barros

As 23 condenações de junho de 2013