Foto: Gabi Stradiotto/ Estudantes NINJA

Quando são muitas, as coincidências transformam-se em evidências. A primeira evidência é a de que o Presidente da República é um miliciano. Queiroz, ex-PM e assessor de gabinete de Flávio Bolsonaro, indicou para trabalhar no mesmo a mulher e a mãe de Adriano, ex-PM e chefe do escritório do crime da milícia. Hoje foragido, ele era “caveira”, assim como Ronnie Lessa, o exímio atirador escolhido para matar a vereadora Marielle Franco, vizinho de condomínio de Bolsonaro. Queiroz e Ronnie conheciam-se muito bem, há anos, e juntos tinham negócios em Rio das Pedras e Gardênia Azul, áreas da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro dominadas pela milícia.

Amigo da família Bolsonaro há 30 anos, Queiroz foi descoberto pelo COAF – Conselho de Controle das Atividades Financeiras – que apurou a movimentação de 1 milhão e 200 mil reais na conta de Queiroz no Banco Itaú. O mesmo Conselho que Sérgio Moro tentou avocar para seu Ministério da Justiça, evidentemente, a fim de controlar esse tipo de movimentação. Além disso, Queiroz pagou, por uma cirurgia no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, 133 mil reais em dinheiro vivo. Trata-se do mesmo hospital que fez a cirurgia em Bolsonaro, para tratá-lo de um atentado a “facada” ocorrido durante a campanha. O golpe perfuro-cortante, que não derramou uma gota de sangue sequer, foi usado como justificativa para que Bolsonaro não participasse de nenhum debate durante toda a campanha eleitoral.

Agora o Brasil entende porque Bolsonaro não queria participar de debates. Está demonstrando que é uma pessoa completamente despreparada para exercer o cargo de Presidente da República, que só diz tolices na hora e lugar errados. Um vendilhão da pátria que vai aos Estados Unidos dizer que nossas portas estão abertas para levarem o que quiserem, sem nem precisarem pagar!

É esse presidente que liberou a venda de armas às milícias e para quem quiser comprar, de preferência da marca Taurus. Ele ainda quer liberar a venda de fuzil, para dificultar a distribuição de terras desse imenso latifúndio brasileiro. Em poucos meses, legalizou 169 agrotóxicos que envenenam nossa comida. Vai sancionar uma lei de drogas (PLC 37) que visa lucrar com a internação involuntária de milhares de brasileiros a custo de 15 mil reais por paciente ao ano. Ainda quer entregar nossa aposentadoria para os bancos privados internacionais. É o governo de armas, venenos e internações, sem aposentadoria.

O corte de 30 % da educação foi o estopim para trazer a multidão novamente às ruas. Convocadas por compartilhamentos nas redes sociais, milhões de pessoas no Brasil saíram com o grito: “não vai ter corte, vai ter luta!” No dia 15 de maio, 500 mil pessoas tomaram a avenida Presidente Vargas no Rio de Janeiro. Como em junho de 2013, amanhã vai ser maior. No dia 30 de maio, voltaremos à avenida Presidente Vargas, e quantas vezes mais forem necessárias, até Bolsonaro sair da Presidência da República. Vamos cantar: “Doutor, eu não me engano, o Bolsonaro é miliciano!”

Assista o programa Fumaça do Bom Direito:

FORA BOLSONARO

Posted by André Barros on Tuesday, May 21, 2019

 

ANDRÉ BARROS, advogado da Marcha da Maconha, mestre em ciências penais, vice-presidente da Comissão de Direitos Sociais e Interlocução Sociopopular da OAB/RJ e membro do Instituto dos Advogados Brasileiros.

Rio de Janeiro, 25 de maio de 2019

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Felipe Milanez

Assassinato de indigenista da Funai na Amazônia precisa de investigação federal

Mônica Horta

Moda democrática e o novo mundo

Estudantes NINJA

O Brasil está em chamas e a rua te chama

Benedita da Silva

Benedita da Silva: Bolsonaro imita Nero

André Barros

Não se combate o tráfico na favela

NINJA

Toninho Geraes: “Sou a favor do grito de liberdade contra essa tirania que assola o país”

NINJA

O escândalo das eleições gerais em Trinidad & Tobago

NINJA

“Precisamos ter voz para acabar com essa onda da extrema direita”, alerta Teresa Cristina

NINJA

Feminismo nas igrejas: "não queremos tomar o poder dos homens, mas destituí-lo"

Liana Cirne Lins

Brasil abaixo de fezes, cocô por cima de todos

Estudantes NINJA

Um (quase) final de ano de tantos retrocessos

NINJA

“Não colem em mim esse discurso da meritocracia”, diz Conceição Evaristo

Preta Rara

A senzala moderna é o quartinho da empregada

NINJA

A criminalização do aborto e o feminicídio de Estado

NINJA

“O samba é a coisa mais importante na cultura brasileira”, ressalta Zé Luiz do Império